No final do ano passado, o Clube do Remo decidiu mudar a sua forma de fazer futebol, na tentativa de garantir uma temporada de sucesso. Dessa maneira, foi criada uma comissão autônoma de diretores, exclusivamente para tratar de assuntos ligados ao carro-chefe do clube. A partir disso, foram anunciadas as contratações de um executivo, Zé Renato; um treinador vencedor, Ney da Matta; atletas experientes, e até mesmo a criação do Cifazul, ferramenta de inteligência que pudesse dar o respaldo aos dirigentes neste processo. Aliado a isso, um planejamento em que os títulos seriam o objetivo final. Entretanto, apesar do esforço e dos resultados externos, dentro de campo a equipe vem repetindo os mesmos erros de edições passadas: eliminações precoces; derrotas para times sem expressividade, falta de competitividade contra times da Série A e, o principal, a ausência de troféus.

De 2005 para cá, quando ergueu a taça da Série C no seu centenário, a agremiação não conquistou mais nada de relevante, com exceção do Parazão – e apenas em quatro oportunidades. Na realidade, essa lacuna fez com que o Estadual fosse encarado como obrigação, ano após ano. Porém, até mesmo no Paraense o time falhou. Em 2012, por exemplo, os azulinos viram o Cametá ser campeão em pleno Mangueirão. No ano seguinte, a mesma coisa, ao ter parado para o Paragominas, na final do segundo turno.

A queda para times considerados pequenos do Pará em decisões foi se repetindo com frequência, dessa vez, contra equipes de outros eixos. Na Série D, quando conseguiu a vaga, penou para subir de divisão, ficando no caminho para times como Vila Aurora-MT e Mixto-MT. Na Copa Verde, competição criada em 2014 basicamente para a exploração comercial de Remo e Paysandu, o Leão sofreu fortes derrotas em quase todas as edições. Em 2015, sofreu o vexame para o Cuiabá por 5 a 1, episódio que ficou conhecido como “Cuiabaço”. Em 2017, eliminação para o modesto Santos-AP e, nesse ano, saída precoce para o desconhecido Manaus-AM, ainda na fase inicial do certame.

CONSEQUÊNCIAS

Um dos grandes da região Norte, o Clube do Remo, mesmo com campanhas irregulares de anos passados, ainda conta com o peso da camisa como destaque no cenário nacional. Contudo, as péssimas gestões que ocorreram seguidamente na instituição, comprometeram bastante o rendimento no futebol profissional. Falta de transparência, sumiço de dinheiro, briga por poder e incompetência administrativa, tudo isso recaiu no carro-chefe que, como consequência, entrou em decadência, ao mesmo tempo em que times menores foram conquistando ascensão. Como mudar isso? É o que vamos tentar descobrir a seguir.


PARA ENTENDER

BONS RESULTADOS

Campeão da Série C 2005
Campeão Paraense 2007/2008/2014/2015
3° colocado da Série D 2015
2° lugar na Copa Verde 2015

INSUCESSOS

Rebaixamento à Série C em 2008
Eliminações na primeira fase da Copa do Brasil em 2013/2014/2015/2016/2017
Eliminação na primeira fase da Copa Verde 2018
Eliminação na segunda fase da Copa Verde 2017
Derrotas para times sem expressividades (Vila Aurora-MT, Mixto-MS, Santos-AP, Brusque-SC, Manaus-AM, Central-PE)
Anos sem uma divisão garantida no futebol nacional (2009 -2015)

Imediatismo é o principal problema

Evidentemente, as duas eliminações sofridas nesse começo de temporada foram sentidas pelo departamento de futebol do Remo. A busca por resultados imediatos é algo que gira ao redor da agremiação há tempos, justamente pela carência que a torcida tem quanto a títulos, o que causa tal impaciência. Todavia, conforme os atuais diretores, exceto pela Copa Verde, o planejamento segue intacto, tanto dentro quanto fora de campo.

De acordo com o diretor Milton Campos, o motivo da desconfiança é unicamente pela saída do regional, algo que entende perfeitamente. “A eliminação na Copa Verde, sem dúvida, foi o pior. Tínhamos uma ambição muito grande na sua conquista. Fomos afetados financeiramente e moralmente, o que é o pior. Mas volto a afirmar que nada saiu dos trilhos. Na Copa do Brasil passamos da 1° fase, que era o objetivo; no Estadual, estamos com um ponto a menos do São Raimundo, e com um jogo a menos. Onde está o problema? Queríamos poder fazer tudo da noite para o dia, mas as coisas não assim. As coisas vão encaixar, vamos reforçar no que precisa ser reforçado e é isso”, disse.

Para a diretoria, a maior dificuldade em fazer um time vencedor vai além do fator campo. “É claro que o financeiro é um diferencial, mas montamos tudo antes de fazer qualquer tipo de contratação. O Remo vem passando por reformulações, e o nosso avanço como administração, acreditem, tem nos ajudado em contratações. O esbarro é com a falta de paciência, pelo imediatismo. Humildemente, digo que o Remo avançou nos bastidores. É um processo natural. Aos poucos tudo vai se encaixar”, explicou Milton Campos.

Manoel Ribeiro segue à risca o combinado

Conhecido por sua personalidade forte e sinceridade, o presidente do Clube do Remo, Manoel Ribeiro, em algumas ocasiões deixou claro sua insatisfação com o rendimento da equipe nesse começo de temporada. Inclusive, em tom mais ríspido, disse que uma mudança na comissão técnica era o que deveria ser feito, caso o time quisesse brigar por títulos. No entanto, apesar da sua posição hierárquica na instituição, o cartola segue a risca o combinado feito em meados de outubro do ano passado, em dar autonomia para que o colegiado administre o futebol e suas principais áreas. Sendo assim, em avaliação geral, Manoel Ribeiro preferiu se abster de comentários, frisando apenas confiar nos profissionais a quem deu carta branca. “Todos sabem da minha sinceridade e por isso acaba pegando mal certas coisas que digo. Por isso prefiro não apontar nada. Quando o Estadual terminar, irei falar tudo. Mas acredito nos diretores e no trabalho deles”, destacou o Marechal. Entretanto, mesmo com o resguardo, o presidente disse que as coisas precisam melhorar. “Como torcedor que ama o clube, sinto que precisa melhorar. Evidentemente, isso não significa que não dará certo mais pra frente. Dependendo das coisas, vou opinar”, frisou.

(Matheus Miranda/Diário do Pará)

 

1 COMENTÁRIO

  1. deixou de se preocupar com o futebol para se preocupar com maior bandeira maior torcida maiores fanatismo e só treina para ganhar do rival o resto não interessa mais depois que descobriu que se remo osse bom não existia canoa motorizada passei a ser o FAF(FENÔMENO AZUL DO FRACASSO)

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