Há exatamente um mês, o Clube do Remo iniciava as movimentações com vistas para a eleição presidencial da agremiação. No decorrer desse tempo, inúmeros episódios negativos ocorreram, marcando, assim, o processo eleitoral como algo depreciativo entre os candidatos da situação e oposição.

Talvez, por isso, o torcedor azulino, independente da sua esfera (comum, associado, organizada e sócio-torcedor), optou por criar um perfil ideal de administração, com base em todas as adversidades e necessidades que a instituição precisa superar, na tentativa de avançar no biênio 2019/20. Por isso, os remistas catalogaram as prioridades que a instituição precisa ter, além da conduta do novo mandatário.Dentre as exigências, o profissionalismo e a tão almejada modernidade foram as mais lembradas. Segundo os torcedores, o modelo de gerência, mesmo com as limitações, precisa ser ambicioso e não o mais do mesmo, algo que tem acorrentado a agremiação em planejamentos arcaicos, à mercê das campanhas em campo como termômetro para o êxito fora dele.

Além do mais, grande parcela dos torcedores aponta o atual momento como um divisor de águas, pois o que for feito daqui em diante terá grandes consequências na marca do clube, uma vez que o esporte busca cada vez mais uma maior organização, como, por exemplo, a criação de um centro de treinamento como critério para participação de competições sob a responsabilidade da CBF, já a partir da temporada 2019.Embora o programa de gestão seja sempre o mais cobrado, todavia, os azulinos também reivindicaram para a atual administração, postura incisiva e atuante, além de compromissada com as demandas que serão impostas nos próximos dois anos. “Acho que chegamos a um estágio que não é mais tolerável sofrer por coisas pequenas. Isso diminui o nosso clube. Ser conivente com isso é ser irresponsável. Precisamos de um gestor decidido, seguro e que faça aquilo que prometeu”, ponderou o sócio-proprietário Mario Henrique Costa.

O sócio-torcedor Arthur Oliveira, na mesma pegada, reiterou a necessidade de um plano de execução eficaz em cima do planejamento de propostas. “A gente sempre vê promessas, mas dificilmente elas saem do papel. E todas (propostas) dos candidatos foram parecidas, e o que vai valer é o empenho em cumprir. Precisamos de um profissional, que tenha cuidado com o financeiro e saiba garantir recursos”, destacou o torcedor.

Torcedores listam pontos fundamentais para gestão e conduta do presidente azulino para o biênio 2019/20


– Execução: quanto à gestão, os torcedores não querem mais promessas vazias e esperam que os dirigentes executem aquilo que foi planejado, sem propostas mirabolantes, mas sim voltadas para a realidade do clube.

– Seriedade: de 2008 para cá, todas as gestões do Remo foram alvos de chacota, seja por problemas internos ou pela omissão dos responsáveis. Por isso, os torcedores destacaram a seriedade e a volta da credibilidade como pontos vitais no ano que vem.

– Transparência: talvez, a principal exigência da torcida é em cima da transparência. Até hoje, o Remo não possui um mecanismo que transmita ao associado ou torcedor comum as suas atividades financeiras. A prestação de contas é um exemplo.

Gestor

– Profissional: a associação das administrações com gestões amadoras, sem dúvida, ocorreu pelo fraco desempenho dos cartolas passados. Assim, para a torcida, a conduta do presidente precisará ser profissional e atuante com as necessidades do clube. Abrir mão de vaidade para pensar no bem da agremiação, além de se preparar e formar uma equipe capacitada e qualificada, são pontos cobrados pela galera azulina.

– Atuante: com análise em cima da gestão passada, o que se viu foi o poder no clube ter sido fragmentado ao longo do biênio, para tentar controlar melhor as atividades. A torcida, agora, espera que o gestor seja incisivo na sua função e assuma suas responsabilidades, estando mais presente no futebol do clube.

Tudo por uma reaproximação

Bilheteria dos jogos ainda é a principal fonte da renda do clube e o novo gestor deve levar isso em consideração, segundo os torcedores

No último ano de gestão da agora antiga administração, o Clube do Remo obteve uma crescente financeiramente, devido às parcerias conquistadas pelo departamento comercial do futebol. Porém, assim como em anos passados, a bilheteria em dias de jogo, com a participação em massa dos torcedores, ainda foi a principal fonte de receita da agremiação. E nesse ponto, a torcida, por saber da sua importância, reivindica justamente um espaço maior em determinadas decisões do clube, até para uma melhor receptividade, conforme alguns apontaram.

Para o torcedor Patricky Silva, a união na agremiação não pode se restringir ao lado interno. “Todos sabem que o que mantém o Remo é a torcida. Basta pegar os números. Nada mais justo que trazer o torcedor para perto, fazer pesquisas, porque o consumidor somos nós. Não queremos destaque, apenas o reconhecimento de quem apoia sempre o clube. Esse seria um bom começo para essa gestão”, explicou.

O torcedor membro da organizada Camisa 33, Yan Souza, foi um pouco mais complexo no discurso, destacando que é necessário um planejamento contínuo com a torcida e não apenas momentâneo. “A gente viu que a gestão mais afastou a torcida do que aproximou. Por isso é preciso implantar essa cultura dentro do clube, de um programa forte de sócio-torcedor, de atrair não só em dias de jogos, fazer um mapeamento de bairros e o que pode ofertar para sempre manter em dia o foco da torcida. Algo mútuo que beneficie as duas partes”, pontuou.

(Matheus Miranda/Diário do Pará)

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